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terça-feira, 26 de março de 2013

Crónicas de uma ACC

Sou ACC, ou ARC ou só C. Sou Assistente de Canal Comercial, ou Assistente de Relação com o Cliente ou só simplesmente Comunicadora.

"Ah, call centers. Aqueles gajos são uns inúteis - pagos para falar". Comenta o pobre do civil, consumidor ou raio que o parta. Nós somos pagos para lhe resolver os problemas, lhe aturar as crises de psicose e ainda lhe dizer que compeendemos; respirar fundo e gostar muito deles.
Trabalho ali fazem 6 meses. E em 6 meses disse mais vezes 'Compreendo' do que em 21 anos de vida. Mas, o Sr. Cliente não fica satisfeito  porque "alguém tem que me ouvir"; "alguém tem que resolver"; "alguém tem que ser insultado"; "alguém tem que fazer a terapia que já não tenho dinheiro para a pagar"; "alguém tem que ser meu amigo (mesmo que eu seja um atrasado que por aqui anda)".

Então, Sr. Cliente, esclareça comigo:
- Nós estamos ali para ajudar. Mais grita, menos leva - tenha em consideração que como você, nós também cumprimos ordens e acima disso, somos humanos.
- Não adianta pedir desculpa antes de desligar pela merda que disse e pelo tom de voz que usou - depois de um homicídio, pedir desculpa também não traz de volta o morto.
- Acredite que nós percebemos - se estamos ali dentro, sabemos o bom e o mau. 
- Não faça de um telefonema um negócio de feira da ladra - não está nas nossas mãos regatear preços;
- Não nos diga chatos - quem ligou foi você e nós até fomos simpáticos;
- Simpatia com simpatia se paga. Seja educado e mantenha a calma, nós vamos ajudar, e mais ajudamos se você parecer um humano e não soar a Filho da Puta.; 
- Não chame um superior ao telefone - vai ser gozado pela equipa toda e ele não tem mais poder que nós, também não vai baixar o preço;
- Não fale mal de nós quando pedimos para aguardar - nós conseguimos ouvi-lo;
- Das duas uma: ou nos deixa falar e respira fundo, ou respira fundo e nos deixa falar;
- Perceba que quando dizemos que não é possível, NÃO É POSSÍVEL E CHORAMINGAR NÃO RESULTA.
- Não queremos saber quantas divisões tem, quantos familiares estão a morrer, se tem piriquitos ou papagaios ou há quanto tempo não faz xixi, sim?
- Não nos insulte, fale mal, ameace,  ou ameace o nosso emprego - não se esqueça que nós sabemos quem você é: nome completo, NIF, BI, morada, nº de telefone fixo e nº de telemóvel...


Com todo o meu amor,
uma ACC, ARC ou só C

X.o.x.o,
Dorothy

sábado, 5 de janeiro de 2013

Viver nesta minha casa é

Chegar ás 22:30 do trabalho a uma sexta-feira, e ter colegas de casa à espera da minha pessoa - para uma bela jantarada regada a vinho tinto, boa comida, e muito, muito boa vibe.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Estou viva


Estou.

Com mil rascunhos guardados, 100 projectos de textos para publicar, e sem um segundo disponível para parar e pensar.


X.o.x.o,
Dorothy

sábado, 1 de setembro de 2012

23:24

A sair do high security building em que me encontro a trabalhar, que implica ter um cartãozinho para passar por qualquer porta, um dos restantes formandos, dos poucos que notei que alinhavam em maluquices e que se ri tanto ou mais que eu da burrice alheia, diz-me:
C.: Conheço um sítio muito porreiro para irmos beber umas imperiais de festejo com este calor...
M.: Conta lá.
C.: 85 cêntimos, duas imperiais. Parece-te bem?
M. (em pensamento: Mas como é que eu não sabia disto...? Descobri a mina!): Bora, é longe?!


Assim foi. Num tasco algures no Campo Pequeno juntam-se dezenas (sem exagero algum) de pessoas para beber imperiais no fim do período laboral. É como um Adamastor, mas sem vista para o Tejo e com senhores e senhoras muito bem vestidos, com camisas, fatos, gravatas, saltos altos... Toda a classe da títulocracia absurda em que vivemos.
Na realidade, julgo que aquele tasquinho seja daqui a duas semanas, ainda mais caótico. Com as aulas a começar, e perto de ene universidades, a malta deve andar animada e eu... Ficarei para ver. 
De facto, uma pérola autêntica descoberta nesta cidade. Cheguei ás 18:00, saí de lá às 23:00, em risota pegada com a restante malta. 
Conclusão? MAGNIFIQUE!

X.o.x.o,
Dorothy

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Yeah, right.

De facto, tudo corre bem por este início de semana. Começada a formação, não me parece que vá odiar este emprego; nasce assim uma luzinha ao fim do túnel laboral. Para ajudar neste ponto, junta-se a candidatura à faculdade aí à porta, e com ela a ansiedade de atingir mais um dos mil objectivos que tenho em mente. Mantenho-me assim focada, a ver senão me perco em questões pouco importantes que me assaltam o pensamento sempre que estou muito tempo parada. 
Voltei a Lisboa, que tanto amo. É cansativo, não me lembrava dessa parte. Apanhar um comboio todas as manhãs, ir naquela carruagem para sair naquela porta imediatamente à frente da entrada de metro para descer as escadas rolantes, entrar no mesmo, com tudo estipulado para mudar duas vezes de linha e andar uma boa distância até ao local de destino. Ginásio? Checked, só com a correria. 

Queria contar mil coisas que tenho aqui, mas de momento o meu cérebro pede descanso. São 23:23, estou deitada na cama com a Liliana à frente, agarrada ao seu livro preferido. Precisava desta rotina, esta deliciosa rotina que me leva a amar as quebras de produtividade.

Até amanhã! Alguém cá virá deixar o rasto prometido de histórias e conversas novas.

X.o.x.o,
Dorothy

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Confusão. Tanta confusão.

Estou nervosa, ansiosa, stressada, em plena alteração de racionalidade mensal, só penso e penso; penso tanto que o meu cérebro está quase a desligar por aquecer demais.

Tenho medo, a verdade é essa. É que estou com um medo terrível de trabalhar; um medo terrível de falhar; um medo terrível de ser mais um posto que vou odiar. Gosto de ter amor ao que faço, faço-o mil vezes melhor, com mil vezes mais consideração, suporto mil vezes mais a hora e meia de transportes que enfrento todas as manhãs.

Liguei ao meu irmão. Os dez anos de vida que nos separam raramente se notam quando nos observam, por sermos unha com carne, as disparidades acalmam a certa altura. Mas, os 10 anos de vida que nos separam também fazem com que aquela alma tenha o poder de me animar e descansar só pela voz. Dá uma de pai, irmão, amigo, profissional, Sr. Dr. Faz uma junção de tudo, eleva-me o ego e descansa-me.
Mas na verdade, continuo nervosa.

Mil planos tenho eu para agora, para hoje, ontem e amanhã. À beira de um deles, e à beira do colapso. Vá se lá perceber... Não sou normal de facto.

Boa noite a todos, e uma boa semana. Histórias tenho para vos contar, a ver se esta semana perco um tempinho a escrevê-las aqui.

X.o.x.o,
Dorothy

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Work.

Arranjei emprego. Começo segunda-feira a formação na minha linda e amada cidade de Lisboa.

Por outro lado, caí da cama hoje, e vou passear por aí o dia todo.

Ainda de seguida, hoje é sexta-feira. O derradeiro festejo, visto que depois de meses a pertencer à estatística, estou empregada.



Se tudo correr bem, amanhã não me lembro de muita coisa.

X.o.x.o,
Dorothy