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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Alucinei ali

Sou uma gaja pouco sentimental no que toca a ti, ou pelo menos era. És meu irmão e esse estatuto bastava-me. Não te trato por mano, nem parvoíces que tais. Chamas-te João, chega bem. Ambos sabemos o que prá'qui vai, e o mundo não precisa de saber também. Por isso, desvalorizei as saudades que sentia - sabia que estavas onde a vida te saberia melhor e seria mais simpática. Ignorei os apertos ridículos em que me apetecia falar contigo só porque sim, em que queria que fosses tu a dizer 'I told you so'. Já tínhamos estado afastados, seria fácil - ou não tão difícil.
Depois percebi que, afinal, sou uma gaja sentimental contigo - principalmente com 1 ou 2 copos a mais, sendo que sempre nos demos bem nestes e com estes estados. Ia jurar que eras tu, um sósia com menos 5 cm de altura. Ia jurar que eras tu e por isso dei dois passos em frente, até ter percebido que afinal, não era possível que fosses tu. Naquela noite no Lux, chamei-me estúpida e desvalorizei a estupidez de saudade que tinha; mas acordei, e lembrei-me que te vi ali.
Então aí, percebi que sou uma gaja sentimental, e que 5 meses sem a tua presença à mão de semear, fizeram mossa.

Creio que foi Bukowski quem disse, que é preciso morrer-se várias vezes para se voltar a viver.

Beijinhos,
She versus Say

sábado, 27 de julho de 2013

Divaga Mafalda, divaga.


Voltei a pensar no amor, e nas suas várias vertentes, feitos e formas de amar. Foda-se, que lá dizia e bem o Miguel Esteves Cardoso - "O amor é fodido". Quem fala assim não é gago.

Então afinal o que é isto?! Nenhum de nós sabe bem, mas sabemos que existe estando bem presente em cada um. E as formas? As pessoas? As intensidades? Ora pois é.

Devagar defini o que é amor para mim. Amor é como o outro dizia, fogo que arde sem se ver. É olhar para os meus pais e saber que a eles ninguém os ultrapassa; é adormecer todos os dias mas antes passar a memória pelas saudades que tenho do meu irmão, agora emigrado; é chegar a casa da avó e ver-lhe um brilho nos olhos provocado pela minha presença; amor é também um telefonema semanal à minha melhor amiga só p'ra lhe chamar princesa; é ter a mãe à cabeceira a dizer que vai ficar tudo bem; é ver a Ana Rita pelo skype e ouvir a simples palavra 'tia'; é saborear Lisboa como um turista; é saber que um dia me apaixonei pelo improvável; é ter amigos, bons amigos; amor é conduzir marginal a fora; é cheirar um  livro novo e ter um orgasmo mental; é escrever no terraço dos meus pais; é estar chateada com a Liliana e ainda assim ela se vir sentar à minha frente só para nos acompanharmos; é fazer um bolo de chocolate para a sobremesa; é ir beber um copo ao Bairro Alto!; amor é esticar o cabelo à Catarina, a prima mais nova; é sentar-me no miradouro a ouvir jazz e beber um copo de vinho tinto - alentejano pff; é recordar a Patrícia, a Nádia, o Pedro e o Rodrigo mesmo só os vendo de muitos em muitos meses; é rir das brincadeiras dos amigos com quem vivo; é ouvir desabafos do António; é não desistir de mim também; é cheirar a mar quando saio do comboio; amor é ouvir o meu pai descompor-me porque fumo; é falar sozinha - ou pensar alto, como gosto de lhe chamar; é beber uma imperial  no Jardim do Arco do Cego; é ainda me dar um nó na garganta quando penso no Diogo; é falar de política com comunas e fascistas na mesma mesa; é ouvir a mesma música vezes sem conta; é saltar em concertos; amor é uma porrada de coisas.

Este estado mental de introspecção leva-me a pensar em muitas coisas. Pensei hoje sobre o amor, ontem sobre a vida, há dois dias julgo que pensava sobre o meu país, e assim sucessivamente.

Então concluí que tudo isto são uma data de parvocíces.
Bem hajam!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Mudar

"- Mafalda, porque é que as coisas mudam?
- Não sei meu bem.
- De um dia para o outro...
- Sem mudança não há evolução.
- E lutar...? Justifica?
- Lutar até conseguires; mas há discernimento em qualquer luta. Mas no amor, no amor não há disso."

 


Beijinhos,
She versus Say

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Avó

Então, naquele pedaço de tarde solarenga percebi que os 83 anos já lhe pesavam. As mãos enrugadas e finas estavam mais fracas, os cabelos ainda mais brancos que o que lhe conhecia. Tremia mais um pouco, e falava mais porque se sentia cada vez mais sozinha. Então, naquele bocado de tempo primaveril ela descascou-me uma maçã como só ela descasca - com muito pouco desperdício - e entregou-ma em quartos perfeitos de sabor e sabedoria enquanto me cantava as mesmas histórias de velhos tempos que nunca me cansarei de ouvir. Percebi, naquele instante feliz e com raios de sol a escapar por entre os cortinados, que tinha pouco tempo, e mesmo que fosse mais tempo, seria sempre pouco tempo para a aproveitar. Por isso naquela fracção de segundos aninhados em ternura prometi-me ter todo o tempo para a ouvir; para ela me descascar maçãs; para me ensinar coisas que só ela sabe; para lhe dizer que a adoro; e para por fim, lhe chamar tão Avó como sempre me foi. 


Beijinhos,
She versus Say

sábado, 27 de abril de 2013

Mudanças

Hoje despeço-me de ti. Hoje despeço-me de ti e levo de nós memórias de onde passei mais uma jornada. Hoje digo adeus à casa que me recebeu quando me despedi das Caldas da Rainha, digo ainda adeus à vista para o mar para dizer olá à vista para a Serra de Sintra. Digo adeus à janela da sala em frente à qual tanto escrevi. Hoje mudamos de casa e eu torci os dois pés mas não vai custar nada. Hoje transportamos móveis, roupa, mais de muitos livros, tralha de anos e eu com um torcicolo mas há-de correr bem. Hoje levamos recordações e datas. Hoje despeço-me da casa que me faz de refúgio quando saio da loucura lisboeta e urbana em que vivo. Hoje despeço-me destas paredes, da minha parede verde-lima, das divisões e ruas com muito amor e estima: Mas hoje levo assim o meu lar para outro sítio, porque lar é onde esta essência de família vive. Por isso até sempre, meu canto com vista para o mar


Beijarolas e sorrisos,
Morena

domingo, 17 de março de 2013

Até já, João.

Despedi-me hoje de ti; disse-te "Até já, João"; arranquei um pouco de mim e vi-te levar esse pedaço de Mafalda para um lugar mais longe. E foi assim! Assim, sem aviso prévio; assim, com força e mágoa. Foi assim que te abracei e contive as lágrimas na esperança de evitar o drama e o caos psicológico. Foi assim que me separei de ti e não contive lágrimas, caos ou drama; chorei por ti - pelo pedaço que vai de mim junto de ti, junto do amor de irmãos que há 21 anos nos une.

Despedi-me hoje de ti; introspeccionei o porquê desta dor ser tão presente, exaustiva e forte. Então parei e percebi que esta dor é tão forte porque há 21 anos adquiri vários estatutos, entre eles está presente o estatuto de 'irmã mais nova do João - 9 anos e 9 meses mais nova'. Por isso percebi que esta dor é forte porque me separo de ti outra vez; porque não te tenho aqui outra vez.

Despedi-me hoje de ti; espezinhada, dorida e magoada pela vida. Não sei lidar comigo mesma a esta altura, não sei como controlar um sentimento destes - que provém de amor, mas que me mata por dentro. Porque estou bem, mas depois "Cheira a João. Pensa-se João. Sente-se João" e choro - choro muito e de forma compulsiva. Hoje choro a tua ida com a maior intensidade com que alguma vez chorarei um até já.

Despedi-me hoje de ti; revi e revivi quem somos e o que nos une. As sessões de pancada e cócegas desde sempre;  o partir a cabeça aos meus 3; as idas à minha escola aos meus 13; de Portishead e Björk aos meus 15; as idas a Évora dos teus 17; a inscrição na minha faculdade dos meus 20; as confissões dos teus 18; da bebedeira dos meus 17; do vivermos juntos aos meus 18 - a nossa casa no Príncipe Real; de me acompanhares à casa nova onde hoje moro; do 720 da minha casa até à tua; dos jantares de amigos; dos choros de irmãos; dos momentos em que cheia de orgulho te apresentei como meu irmão; de nos vestirmos de preto nas manifestações, de luto pelo país; do hábito que criei.

Despedi-me hoje de ti; e percebi que esta dor lacerante e alucinante tem vários nomes. Ela chama-se saudade que já tenho e ainda agora foste embora. Ela chama-se esperança porque foste onde vais ser melhor, ficar melhor e viver melhor; Ela chama-se João, tem 30 anos e embarcou hoje rumo a Londres. Porque juntos, vamos mudar o mundo.

E por isso, até já João.

Beijinhos,
She versus Say

terça-feira, 5 de março de 2013

1 mês

Faz hoje um mês que me despedi. Faz hoje um mês que comecei um novo processo, mais sozinha e com mais dúvidas. Faz hoje um mês que senti a minha alma sair do corpo com tanta dor. Mas também faz hoje um mês que comecei, todos os dias, a lidar melhor com a ausência.

Faz hoje um mês, e eu só quero que sejas feliz.

Beijinhos,
She versus Say

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Pensar demais faz mal

É segunda-feira à noite. Lá fora chove a um ritmo intenso enquanto me sento na mesa da cozinha ao computador, frente a frente com um dos meus colegas de casa. 

A nostalgia invade-me em momentos como este, a música calma e bonita leva-me a um levitar mental elevado ao máximo dos expoentes. Os anéis, a maquilhagem, a roupa e as botas magoam-me. O meu próprio corpo hoje consegue estar magoado por ele mesmo. Sei a resposta a este estado, sei o porquê deste estado, sei que luto estou hoje a fazer - e isso, revolta-me. Queria controlar o que sei ser incontrolável. É uma das minhas maiores manias, sou uma control freak a nível emocional. Queria ver avanços, queria fazer replays, queria fazer restarts!


Kisu,
Eme's.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Mais um até já

São agora 14:25. Estou sentada no exterior do aeroporto de Lisboa. Ainda há minutos o deixei na porta de embarque, ainda há minutos lhe disse até já.
Como é que se diz até já à pessoa de quem gostamos? Como fazemos isto sem um aperto no coração que me diz 'Ficou tanto por fazer, tanto mais ainda por dizer'. Como lhe damos um último beijo e desejamos sorte, sem que o mundo desabe? Como viramos costas com um sorriso e não voltamos a olhar para trás? Como impedimos que a fraqueza nos atinja e mantemos uma postura bonita, pela última vez que o vemos pelos próximos tempos? Como não sentimos arrepios ao andar pelos corredores do sítio onde deixo tantas lágrimas quando lá vou?

(senti o estômago colado às vértebras)

Será isto tanto pelo significado daquela pessoa para mim, como significado de ver mais alguém sair do país. Foi para uma vida melhor - mas, cá dentro, sinto um medo enorme por ele; um receio que não sei como exteriorizar; uma fobia aterrorizante por ele. Perdi-me em lágrimas - tive que dizer mais um adeus.
 

Quero-lhe tanto sucesso e bem.

São 15:25. Chego a casa. O telemóvel tocou pela viagem - recebo um obrigada pela despedida, e uma mensagem entusiasta de quem está num Boing 777, enorme por sinal. Imagino o sorriso em conjunto com os olhos de quem sente a vida aproximar-se da mudança.
Abro a porta do quarto, deparo-me com a cama onde passámos a última noite, onde deixei que me visse a alma pela última vez. Aquela cama relembra-me os corpos juntos, os abraços, o calor de um corpo ao eu lado, os beijinhos durante o sono, os segredares de palavras tontas e bonitas, as sessões de séries vistas na TV, os meses que passei com a ausência-presença daquela pessoa. Lembra-me o último café em que deixei tudo esclarecido, onde ouvi o que melhor me soube, onde correram horas de palavras até que a coragem chegasse para endireitar pormenores. Aquela cama lembra-me as melhores gargalhadas, os melhores cigarros partilhados, os melhores olhares em silêncio.
Pendurado na cadeira está um cachecol preto e branco, quente por sinal. Aquele cachecol tem um perfume que não é meu.



Hoje, quando o deixei na porta de embarque juntei ao lado dessa imagem, a imagem da primeira vez que vi aquele homem a chegar no autocarro ao Cais do Sodré. Vai deixar saudades.

M: Não te esqueces de mim?
D: Tens o meu cachecol... (ar malandro na imagem enquanto sorri e me puxa para ele)


Beijinhos,
She versus Say

domingo, 25 de novembro de 2012

CDR - #Day 2

A sensação continua a mesma - continua a ser estranho, novo, velho, engraçado, constrangedor, lembranças, passado.
Saí de casa hoje, eram 15:45. Os calções vermelhos, collants pretos e camisola preta fazem agora parelha com o batom vermelho - nesta terra quase que uma espécie de crime contra a humanidade. Sinto-me observada, sei que por estas ruas sou hoje de novo estranha ao serviço. Tenho café marcado às 16 com o P., um poeta que me acompanha fazem anos e anos. Esta, é das poucas almas que ainda valida tanto as minhas vindas a esta cidade, como a minha própria existência. Desenrolei com ele horas de conversa, actualizei uma vida, duas vidas em que ambos tínhamos ficado congelados. Algures há 3 anos que nos regíamos pelo básico da comunicação - mas aquele abraço, será sempre o abraço de quem assistiu de uma maneira ou de outra a todas as mudanças que sofri, a todas as batalhas que travei. Tinha saudades, tantas saudades.

São 18 horas, o meu telemóvel toca inoportunamente a meio de um dos milhares virares de histórias para contar. Este contacto, regeu-se por uma comunicação:

'Almoço de família paterna convocado porque a Mafalda está cá. Amanhã às 12:30, em casa da avó, aquela em que todos crescemos'.

Desci à terra, e com isto tive quase uma 'out of body experience'. Não sei sinceramente como lhes reagir, como reagir à falsidade de que todos padecem. Aquela, é a família que me virou costas quando não tive dinheiro para comer, é a família que humilhou os meus heróis - também conhecidos como meus pais - até onde não podiam mais. Então amanhã só lhes vou lá ensinar uma coisa: não se vira as costas a um irmão. Esta lição vai chegar da mais simples forma; sob a forma de sucesso. And I win.

Amanhã espeto aqui com o resultado do confronto pacífico que vou enfrentar. Wish me luck!


Beijarolas e sorrisos,
Morena

sábado, 24 de novembro de 2012

CDR - #Day 1

Cheguei a casa; a terra, aquela onde nasci e cresci, aquela em que fui bebé, criança, menina, mulher. Cheguei - olá, Caldas da Rainha.
 
O expresso entra pela mesma rua por onde saí, há 5 anos; levava uma dor no estômago e um vazio na alma - com medo, tanto medo. Entra pela mesma última rua, a rua que de repente e sem aviso, há 5 anos me viu chorar.
Lembro-me de quando saí daqui com rumo à Capital. Lembro-me do medo, da ânsia e da expectativa que tinha; lembro-me de me ter recordado de todos os 15 anos que ali, naquela cidade, eu tinha passado. Lembro-me como se fosse ontem, de ter passado naquela última rua por onde hoje entrei.
 
Estive longe, e mais que isso, muito ausente - em 5 anos, contam-se pelos dedos o número de vezes em que vim 'a casa', o número de vezes que aqui estive. Faziam 3 anos que não punha aqui os pés. Tanto tempo, há tanto tempo, Caldas.
 
'Sentir Caldas'
 
 
Hoje sou Lisboeta, moura na minha melhor e pior essência. Hoje pertenço a todo o lado, menos aqui, ainda assim, eu sou daqui. E hoje percebi, que é verdade que aqui cresci, e que daqui tenho marcas.
Hoje saí daquele autocarro, peguei na mala e rumei ao mesmo café de sempre para visitar aquelas minhas pessoas. Hoje, ao passar uma e outra estrada, percebi - eu ainda sou daqui.
Hoje, ao ouvir aquelas pessoas senti um arrepio, ao abraçar aquela pessoa, n'aquele local percebi - eu ainda sou daqui. Ouvi aquele sotaque, falei com o sotaque que me convenci que não tinha, mas que de facto, tenho. Hoje, voltei a falar a cantar como qualquer bom 'Águas-mornas' que se preze, arrastei as vogais e comi metade das palavras. Hoje percebi que parte de mim, ainda está aqui. E tudo pode mudar, a cidade pode crescer; mas hoje, em cada lugar que passo eu sei - eu tenho recordações exactamente aqui. Por isso, hoje percebi - eu ainda sou daqui.
 
 
Mãe: Como te sentes?
Mafalda: Caldense.
 
 
Beijarolas e Sorrisos,
Morena

domingo, 4 de novembro de 2012

A quem

Quebrou um sistema que eu jurava ser impossível de quebrar. Rompeu a minha rotina habitual; desafiou as minhas leis da gravidade; compatibilizou e coordenou uma nova forma de me relacionar. 

Nem tudo são rosas, como sempre - mas dentro de tudo... Uma nova forma de estar.

Ao Diogo agradeço os tempos que com ele passei, a ideias trocadas, as gargalhadas que me provocou, as músicas ouvidas e os pequenos-almoços na cama; todos os bocadinhos em que me fez sentir mais humana e mais calma. Também agradeço o que nele consegui conhecer, e o que aprendi por lidar com esta pessoa. Ao Diogo agradeço as pessoas que me apresentou, agradeço a pessoa que é, e o que despertou de novo em mim. Eu disse-te que tinhas era que ter defeitos, como qualquer humano. E se me incomodaram? Claro. Mas ainda assim, fiquei com algo de bom.
Ao Diogo agradeço conhecer-me tão bem como se me conhecesse desde os tempos de gaiata, agradeço o tempo e a entrega. Tínhamos apesar de todos os filmes noctívagos e alcoólicos, uma bela sincronia pessoal, e eu gostava disso.



É neste espaço que revelo e deixo memórias para mais tarde recordar. Por isso, este post é do Diogo, e do que num prazo ridículo e demasiado curto conseguiu de mim. Porque para ti quero o melhor que o Mundo tem, e desta vez... Sem prazo.


Daqui a 5 anos, posso-te pedir em casamento? Risos.


Beijinhos,
She versus Say

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Namorados a prazo

Acordei com aquela sensação - sensação que me diz que algo mudou.

 "Fica comigo, este mês"

Não sei como o descreva, o que diga, como diga, muito menos o que sinta - sinto-me, já sei! Menina, miúda! Pequena, inocente - mas aqueles olhos, aquela mente, tudo o que me liga a tal presença, aquela pessoa (incluir todos os insultos disponíveis em stock). Devia ter sido mais cedo, diferente, não ter fim previsto, não ter um prazo.


São 18 horas, sentada no MeatMe de volta de Microeconomia, cadeira leccionada pelo Einstein versão portuguesa. Surge no separador ao lado uma janela de conversa. Como diz a outra: está sempre alguém a falar comigo. Tínhamos um jantar marcado faz para lá de mês; depois um cigarro - íamos beber café e fumar um cigarro, estava para lá de um mês. Aceite.

(...)

São 20 horas, sentada no Cais do Sodré a ouvir Portishead, a divagar pela mente e ver pessoas, apenas corpos a passar - fui cobrar o café que ia já para além de um mês. Espero, espero, espero, chegou. Movimentos e passos, rumo ao café.

Mafalda: Foda-se, namorar? Para discutir? Bater com a cabeça na parede? Não tenho tempo para isso.
(risos da 2ª pessoa neste diálogo)

(...)

São 23 horas. Continuo sentada no Cais do Sodré, agora acompanhada depois de um café; por ele, e por uma garrafa de vinho. É domingo à noite, celebro vida e boa companhia. A conversa desenvolve-se com a maior das facilidades, sinto-me fascinada com a complexidade e compatibilidade que sinto (algo vai correr mal).

São 23 horas e 30 minutos. 
"Fica comigo, este mês."

(...) 

São 10 horas da manhã. Isto correu bem para o meu lado. É assim que sem qualquer pista ou desconfiança, vemos uma hipótese nascer. E o prazo? O prazo chama-se emigração, que chega daqui a um mês. Foda-se, lá azar tenho eu. Até lá?

Liliana: Onde estás sardinha?
Mafalda: Com o meu namorado.


Beijinhos,
She versus Say

sábado, 20 de outubro de 2012

We do

Se adivinhassem o que vou a pensar quando me olham caladinha e quieta.

Beijarolas e sorrisos,
Morena

domingo, 14 de outubro de 2012

Anjo da guarda

(...) E foi aí que o ouvi dizer:

Para ti, prevejo o melhor. Para ti, idealizo sonhos e projectos realizados. Para ti, projecto sucesso e determinação; adivinho-te a melhor e mais sábia e capaz entre os teus e os restantes. 
Não penses contudo que será fácil. Não penses porém que não será sofrido, cansativo, extenuante. Não penses nunca que as coisas cairão do céu tal qual como as maçãs caem daquela árvore ao amadurecerem; Não te quero assustar, desanimar, deixar de pé atrás, ou a fugir do destino. Isto porque, minha pequena, será mau, trará dor, ficarás assustada muito mais vezes do que pensas, quererás certamente e muitas vezes fugir para um canto e esperar que tudo passe, que o mundo continue a girar e não dê pela tua ausência - que dará - para que tudo esteja bem quando voltares do esconderijo. Vai ser complicado, Mafalda. Vai ser muito penoso, vais-te sentir muitas vezes sozinha. Vais chorar muito mais vezes do que julgas, e julgar-te-ás muito mais vezes, completamente fraca e incapaz. Vais pensar em desistir - e ai de ti que o faças - e deixar tudo para trás. 

Vais querer ser normal, igual aos outros, semelhante e rotineira, vais querer passar despercebida, contentar-te com o que tens e não querer nada nada mais; mas não o vais fazer porque no fundo nem tu mesma irás deixar. Vais viver assim, um dia de cada vez, um sorriso de cada vez; vais limpar a merda das lágrimas que estiverem a cair, porque tens mais força do que alguma vez irás julgar. Não te vais contentar, não vais assentar por menos do que mereces, nem te vais forçar a tal. Porque te garanto, não estás aqui para ser igual. (...)


Beijinhos,
She versus Say

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Estou viva


Estou.

Com mil rascunhos guardados, 100 projectos de textos para publicar, e sem um segundo disponível para parar e pensar.


X.o.x.o,
Dorothy

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Dividir

Dividir: v.t Partir ou separar em diversas partes; desunir; apartar.


Dividir, é dormir numa cama com 1,20m e só aproveitar 50 centímetros para que a tua irmã tenha 70 para dormir. Dividir é dormir menos para que os outros desabafem contigo. Dividir é ir dormir calada para que ninguém sinta o que sentes, para que não dividas dor e dúvida.
Dividir é dar e receber, dividir é como diz ali, desunir algo, partilhar as suas partes, criando dois benificiários. Então, dividir, é ter €1,50 e pagar o café a alguém, deixando assim de beber o segundo. Dividir é isso mesmo, é  esquecer o seguinte enquanto existe divisão. Dividir é distribuir por ti e por mais, tudo o que tens e não tens. Dividir é dar, dar o que é só teu, para que passe a ser só nosso. E estas divisões, não são divisões banais, são divisões conscientes e humanas, são divisões necessárias à rota terrestre - à minha rota terrestre.

Dividir
Dividir é também dividir a dor; dividir é não contar ao teu irmão que a vossa mãe está desempregada, para que ele não tenha que lidar com esse facto juntamente com a sua vida atarefada e problemática. Isso para mim, é dividir, dividir o mal por menos aldeias. 
Dividir é ter heterónimos e fugir com eles do que não queres. Logo, é deixar a política quando na conversa está alguém básico, para pensar antes na ciência das árvores que agora se tornam carecas e deixam cair folhas em sinal de fraqueza. É deixar os sentimentos de lado quando existe conflito para que dividas mais paz, do que guerra. Dividir é isso, para mim é exactamente isso. É dividir o que sou por quem sou. Dividir é isto, é confuso.
Dividir, também é dividir quando ensinas, quando transmites o que sabes, ensinas e esclareces. Dividir é dar. É ficar com parte e dar o que sobra. Dividir é dar, é sempre dar.


É dividir-me em mil para sentir em mil; dividir-me em mil para ver em mil. É dividir-me, para aproveitar mais ou menos de cada aspecto.
Dividir é guardar segredos para que alguém durma mais descansado ao fim da noite; é não dizer o que tens entalado na garganta para que a pessoa do lado aprenda a viver - porque neste meu aspecto de visão, só aprende quando errar; deixando assim que erre, mesmo que a ti te doa ver o processo e te vá doer ajudar na recuperação. Dividir é isso, dar de ti ao do lado, seja ele em café, dinheiro, cama ou sentimentos. Dividir é gerir, e nesta divisão é raro que existam partes iguais.


Nada é eterno. O café esfria, o cigarro apaga, as pessoas mudam.

E tu, já dividiste hoje?


Beijinhos,
She versus Say

domingo, 9 de setembro de 2012

Ana Rita

É hoje que me despeço de ti, Ana Rita. É por isso que te escrevo, dia 9 de Setembro de 2012, na véspera da tua partida. Não vais ler isto, não saberás o que sofro nesta data. Mas fica aqui escrito, como uma projecção ao Universo; como um último derramar de medos e palavras, o que me assusta a tua ausência. Amo-te como se fosses minha, e levas contigo parte de mim. Uma grande parte de mim com 3 anos, 2 meses e 19 dias de existência. Uma pequena mas muito grande parte de mim.

Hoje despeço-me de ti, Ana Rita. Hoje digo-te um até já, um irei ter contigo, um voltarás ao meu colo, um voltarás a dizer que 'A tia apanha a Rita'. 

Hoje despeço-me de ti, Ana Rita. Com uma grande mágoa, mas com uma grande fé no teu futuro.

Hoje despeço-me de ti, Ana Rita. Para este jantar reservo grandes esperanças de que voltes daqui a uns anos, já crescida, a falar melhor que eu, mais línguas que eu, e a ser da minha altura. Reservo amor, carinho, bondade, ensinamentos.

Hoje despeço-me de ti, Ana Rita, no meu melhor. Por isso arranjo-me, maquilho-me e visto o melhor que tenho no armário; porque quero que guardes de mim a melhor imagem até à próxima vista. 

Hoje deixo que arranquem parte de mim para enfrentarem um futuro melhor. E hoje, deixo que te levem para um país longínquo a milhares de quilómetros da tia, para que não sofras a angústia que hoje tenho sobre o meu futuro. Hoje deixo que te levem no dia de amanhã para a Alemanha. Hoje peço com todas as minhas forças para que sejas inteligente, que cresças e não deixes esse sorriso de cada vez que vês  a tia. 
Hoje de facto, é o primeiro dia desta tua vida. Hoje fazemos o último 'All Together Now' familiar até ao Natal. Hoje vemos o primeiro dos mais novos deixar Portugal. Hoje vemos o último dos mais novos a deixar Portugal. Hoje esta família sofre um abate imenso, porque somos assim. Somos um, apenas um. E se um muda, a família muda. Por isso, hoje é o último 'All Together Now' até daqui a uns meses.


Hoje despeço-me de ti, Ana Rita, e do teu pai. O teu pai que conta com mais 15 anos que eu. O teu pai que me levou a todo o lado, me fez sócia do Benfica, o teu pai que me ensinou a andar de mota, o teu pai que me mimou até à morte. O teu pai, meu primo, que é pior que eu, pequenina. Cuida dele, por favor. O teu pai, meu irmão ao fim de contas, que me formou, que me deu o melhor curriculum aos 18 anos, o teu pai que me ensinou tanto. Cuida dele, por favor. Hoje reunimos por vocês todas as gerações desta família tão louca e tão saudável. Dos 83 aos 3, hoje estamos todos lá. Neste último dia não emigrante.

Hoje despeço-me de ti, Ana Rita. Com o maior medo, mas a maior felicidade. Sairás daqui entregue ao melhor dos futuros.

Hoje, deixo-te aqui um até já, Ana Rita. A tia ama-te, e nunca vai deixar 'de apanhar a Rita'.



Beijarolas e sorrisos,
Morena

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Vegan style

Estou cansada, com sono, esgotada. Emagreci três quilos, yupi hey!

Tudo à parte... Estou feliz, mesmo assim.


Beijarolas e sorrisos,
Morena

sábado, 1 de setembro de 2012

23:31

Woodstock!

Woodstock. Agosto, 1969.

É relembrado e homenageado este fim-de-semana no Woodstock Free Fest 2012 na fazenda Calha do Grou em Almeirim, Santarém. Grátis, com um sem número de actividades brutais, além de muita poeira a ser levantada no dancefloor, tenho recolhido informação de uma muito boa onda. Aqui a parva, recusou a boleia que tinha... E porquê? Porque não há dinheiro nem para comprar uma maçã. Há coisas que só comigo... Magnifique...

Kisu,
Eme's