Mostrar mensagens com a etiqueta do amor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta do amor. Mostrar todas as mensagens

sábado, 27 de julho de 2013

Divaga Mafalda, divaga.


Voltei a pensar no amor, e nas suas várias vertentes, feitos e formas de amar. Foda-se, que lá dizia e bem o Miguel Esteves Cardoso - "O amor é fodido". Quem fala assim não é gago.

Então afinal o que é isto?! Nenhum de nós sabe bem, mas sabemos que existe estando bem presente em cada um. E as formas? As pessoas? As intensidades? Ora pois é.

Devagar defini o que é amor para mim. Amor é como o outro dizia, fogo que arde sem se ver. É olhar para os meus pais e saber que a eles ninguém os ultrapassa; é adormecer todos os dias mas antes passar a memória pelas saudades que tenho do meu irmão, agora emigrado; é chegar a casa da avó e ver-lhe um brilho nos olhos provocado pela minha presença; amor é também um telefonema semanal à minha melhor amiga só p'ra lhe chamar princesa; é ter a mãe à cabeceira a dizer que vai ficar tudo bem; é ver a Ana Rita pelo skype e ouvir a simples palavra 'tia'; é saborear Lisboa como um turista; é saber que um dia me apaixonei pelo improvável; é ter amigos, bons amigos; amor é conduzir marginal a fora; é cheirar um  livro novo e ter um orgasmo mental; é escrever no terraço dos meus pais; é estar chateada com a Liliana e ainda assim ela se vir sentar à minha frente só para nos acompanharmos; é fazer um bolo de chocolate para a sobremesa; é ir beber um copo ao Bairro Alto!; amor é esticar o cabelo à Catarina, a prima mais nova; é sentar-me no miradouro a ouvir jazz e beber um copo de vinho tinto - alentejano pff; é recordar a Patrícia, a Nádia, o Pedro e o Rodrigo mesmo só os vendo de muitos em muitos meses; é rir das brincadeiras dos amigos com quem vivo; é ouvir desabafos do António; é não desistir de mim também; é cheirar a mar quando saio do comboio; amor é ouvir o meu pai descompor-me porque fumo; é falar sozinha - ou pensar alto, como gosto de lhe chamar; é beber uma imperial  no Jardim do Arco do Cego; é ainda me dar um nó na garganta quando penso no Diogo; é falar de política com comunas e fascistas na mesma mesa; é ouvir a mesma música vezes sem conta; é saltar em concertos; amor é uma porrada de coisas.

Este estado mental de introspecção leva-me a pensar em muitas coisas. Pensei hoje sobre o amor, ontem sobre a vida, há dois dias julgo que pensava sobre o meu país, e assim sucessivamente.

Então concluí que tudo isto são uma data de parvocíces.
Bem hajam!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Um sempre de tempo

Eu sou bruta, é um facto. E isso, afecta muitas vezes a forma como me interpretam - como aconteceu contigo. A seguir, além de ser bruta, sou burra emocionalmente. E isso, afecta muitas vezes a forma como me interpreto a mim mesma - como aconteceu vida fora.
Medi mal as palavras usadas sobre questões nada leves, e precisando eu tanto de te dizer tanta coisa, escrevo. É isso que faço melhor, foi muito por isso que me desafiaste para um café, começaste por me ler. Então é por ISTO, seguido por ISTO, depois por ISTO e ainda ISTO que te escrevo mais uma vez.

As palavras custam agora a ser digitadas, talvez por receio de que uma vírgula mal colocada vá estragar todo o efeito que pretendo ver. Já sabes coisas que «Nunca te direi», talvez  precise que saibas o que nunca te expliquei, e como de alguma estranha forma, o que nunca ninguém entenderá.

Sei que tenho tempo para te escrever - partes de novo daqui a umas horas e não te verei tão cedo. Um cedo que  me assusta, porque sei que parte desta má interpretação, vai resultar na tua alienação de mim por um período longo, assustador e absurdo de tempo - talvez um sempre de tempo. Sempre fui boa a assustar as pessoas, e como por fim, crescidinha que sou, lido com as consequências. E esta, é assim a melhor maneira - escrevo.

Preciso de  te explicar, honestamente,  toda esta (minha) confusão (mental). Aguardarei ansiosamente a tua partida, como  aguardei sempre ansiosamente, a tua chegada. Depois disso já te vou poder pedir para que    por mais uma vez, me leias.

Não quero que aches o que tens em mente: eu não espero por ti, nem mantenho viva a esperança de ter contigo o que nunca tive nem nunca terei. Não faz parte de mim, e conhecendo-me tu como conheces, verás que é verdade.

A verdade, de facto, é que não soube lidar com isto, com gostar de ti e nem sempre sentir um sentimento mútuo da tua parte. A certa altura, bloqueei, não te podendo nunca dizer ou exigir nada - fiquei  anestesiada até receber uma mensagem com a informação de que te ias embora daí a um par de dias; não teria tempo para me despedir de ti, para te voltar a olhar nos olhos e desejar-te boa viagem.
Por isto, discuti contigo - senti-me mal, surpresa, triste, enraivecida porque a tua ausência iria chegar de novo. E porque disse as coisas de forma pouco ortodoxa, devo-te um pedido de desculpas. Porque sou bruta e burra emocionalmente.

Hoje, não me queres ver nem pintada e a valer ouro. Então eu escrevo para que te possa dizer que acompanhaste de mim uma fase de mudança de vida; que me viste crescer mais um pouco, me apoiaste, e no fim conquistaste enquanto pessoa, um lugar cativo junto de mim. Serás sempre o Diogo, com tudo o que isso signifique. E que sabendo que nunca mais te vou tocar, ou dizer segredos ao ouvido, espero poder contar sempre com um café quando cá voltas, que me contes como vai tudo lá pelo país em que vives, que me perguntes como estamos todos: como está a  família; a malta cá de casa; eu. Que me dês coragem  para seguir sonhos e não me deixar cair pelas conjunturas que me rodeiam. Que me deixes lembrar-te o porquê de seres adorável, que me deixes preocupar e saber se já estás na infecto-contagiosas...
Hoje, escrevo para te pedir que te lembres de mim, como me lembrarei sempre de ti. Que por fim, nunca desapareças desta pessoa que sou. Que não faças deste pedaço de tempo, um sempre.

Passaram horas, muitas horas. Já chegaste a esse teu país longínquo, e eu só quero que saibas... Que tenho em ti, sempre, todos os sonhos do mundo. "Os apaixonados gostam de aventuras."    

«Jantar? Café. Redes diferentes, amores impossíveis. Até que enfim lhe ouço a voz, Sra. Mafalda. Chegas atrasado volto para trás. Conheço bem a tua cara, descansa. Risos. Vamos comprar uma garrafa de vinho? Prazo. Bom dia. A chuva estragou-me a surpresa, atrasei-me, espera aí 5 minutos. Séries. Acho que gosto  de ti. Too drunk to fuck. Gostas das minhas botas novas? Faz boa viagem. Quando voltas à civilização? Parabéns meu bem. Tinha saudades de te sentir. Eventualmente, faço zapping para lidar com os ciúmes. A faculdade? Embarco de terça-feira a oito. Acho que afinal tinha mais saudades tuas do que julgava. Bairro? A minha família não me pode ajudar. Vi-te ali a chorar, só me apetecia ir agarrar-te para que ficasses bem. Promete-me que ficas bem. Vou morrer de saudades. Compra pastilhas para a viagem. Boeing 777. Chegaste bem? O trabalho? E pretjinhas? Não chores xuxu. Acredito que eventualmente serás tu a sair do país. Já estás nas infecto-contagiosas? Bem vindo de volta. Ginginha. Morreu um amigo meu. 10 minutos estou à tua porta. Estou dependente do visto. A tua mãe merece o Nobel da maternidade logo a seguir à minha. Abraços. Não faças isso, olha que caio. Como estás, pequena? Cheiras bem. És trapalhona. Gosto dela. A ausência fez-nos bem. Que olhar fulminante foi aquele? Não nos exigimos nada. Quero estar contigo. Quando voltas? Drama. Não há mais nada para dizer. A tua camisola está cá em casa. Ok.»
 
...

Foda-se.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Mudar

"- Mafalda, porque é que as coisas mudam?
- Não sei meu bem.
- De um dia para o outro...
- Sem mudança não há evolução.
- E lutar...? Justifica?
- Lutar até conseguires; mas há discernimento em qualquer luta. Mas no amor, no amor não há disso."

 


Beijinhos,
She versus Say

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Avó

Então, naquele pedaço de tarde solarenga percebi que os 83 anos já lhe pesavam. As mãos enrugadas e finas estavam mais fracas, os cabelos ainda mais brancos que o que lhe conhecia. Tremia mais um pouco, e falava mais porque se sentia cada vez mais sozinha. Então, naquele bocado de tempo primaveril ela descascou-me uma maçã como só ela descasca - com muito pouco desperdício - e entregou-ma em quartos perfeitos de sabor e sabedoria enquanto me cantava as mesmas histórias de velhos tempos que nunca me cansarei de ouvir. Percebi, naquele instante feliz e com raios de sol a escapar por entre os cortinados, que tinha pouco tempo, e mesmo que fosse mais tempo, seria sempre pouco tempo para a aproveitar. Por isso naquela fracção de segundos aninhados em ternura prometi-me ter todo o tempo para a ouvir; para ela me descascar maçãs; para me ensinar coisas que só ela sabe; para lhe dizer que a adoro; e para por fim, lhe chamar tão Avó como sempre me foi. 


Beijinhos,
She versus Say