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sábado, 27 de julho de 2013

Divaga Mafalda, divaga.


Voltei a pensar no amor, e nas suas várias vertentes, feitos e formas de amar. Foda-se, que lá dizia e bem o Miguel Esteves Cardoso - "O amor é fodido". Quem fala assim não é gago.

Então afinal o que é isto?! Nenhum de nós sabe bem, mas sabemos que existe estando bem presente em cada um. E as formas? As pessoas? As intensidades? Ora pois é.

Devagar defini o que é amor para mim. Amor é como o outro dizia, fogo que arde sem se ver. É olhar para os meus pais e saber que a eles ninguém os ultrapassa; é adormecer todos os dias mas antes passar a memória pelas saudades que tenho do meu irmão, agora emigrado; é chegar a casa da avó e ver-lhe um brilho nos olhos provocado pela minha presença; amor é também um telefonema semanal à minha melhor amiga só p'ra lhe chamar princesa; é ter a mãe à cabeceira a dizer que vai ficar tudo bem; é ver a Ana Rita pelo skype e ouvir a simples palavra 'tia'; é saborear Lisboa como um turista; é saber que um dia me apaixonei pelo improvável; é ter amigos, bons amigos; amor é conduzir marginal a fora; é cheirar um  livro novo e ter um orgasmo mental; é escrever no terraço dos meus pais; é estar chateada com a Liliana e ainda assim ela se vir sentar à minha frente só para nos acompanharmos; é fazer um bolo de chocolate para a sobremesa; é ir beber um copo ao Bairro Alto!; amor é esticar o cabelo à Catarina, a prima mais nova; é sentar-me no miradouro a ouvir jazz e beber um copo de vinho tinto - alentejano pff; é recordar a Patrícia, a Nádia, o Pedro e o Rodrigo mesmo só os vendo de muitos em muitos meses; é rir das brincadeiras dos amigos com quem vivo; é ouvir desabafos do António; é não desistir de mim também; é cheirar a mar quando saio do comboio; amor é ouvir o meu pai descompor-me porque fumo; é falar sozinha - ou pensar alto, como gosto de lhe chamar; é beber uma imperial  no Jardim do Arco do Cego; é ainda me dar um nó na garganta quando penso no Diogo; é falar de política com comunas e fascistas na mesma mesa; é ouvir a mesma música vezes sem conta; é saltar em concertos; amor é uma porrada de coisas.

Este estado mental de introspecção leva-me a pensar em muitas coisas. Pensei hoje sobre o amor, ontem sobre a vida, há dois dias julgo que pensava sobre o meu país, e assim sucessivamente.

Então concluí que tudo isto são uma data de parvocíces.
Bem hajam!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Pensamento positivo

Temo pelo tempo que passe, pelo tempo que já passou. Temo pelo tempo que está a passar - tempo que de forma apressada e por vezes egoísta, não pára de correr.
Então o tempo torna-se nisto; uma metáfora à minha vida, e aos meus sentimentos em simultâneo. 

Acordo, e olho o tempo. O tempo, as horas que desde que adormeci passaram. São algumas - deixei-me dormir, sinto-me agora desvairada com a falta de interesse que estas tantas horas têm. Então o tempo hoje funciona assim. Acordei, enfiei-me na banheira com esperança de lavar esta dormência e anestesia. "É só um bocadinho" - pensei eu - "sai com o banho". 
Mas, esta dormência teimou em não passar. Cá dentro, joga uma melancolia interminável de quem sabe que fora de mim, as coisas não se encontram bem. Estou temerosa, ansiosa.

E pelos meus, pelos teus, e pelos nossos. Ergui a cabeça, levantei-me pouco a pouco e pensei que "no final, fica sempre tudo bem".

Kisu,
Eme's.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

1 ano

Porque hoje fazemos 1 ano. 1 ano de Personalidade Múltipla.

Comecei o Personalidade Múltipla numa perspectiva de vida muito diferente da que hoje carrego. Estou este 1 ano mais velha, 1 ano mais sábia, 1 ano mais eu, 1 ano mais parva, 1 ano mais desanuviada e 1 ano mais feliz. Comecei este espaço a pensar no que poderia descarregar sem sofrer consequências ou críticas destrutivas, e deixar simplesmente que as teclas, os neurónios, a verdade e a vontade me regessem ao gerir este meu investimento de tempo. Comecei-o também para quando for muitos anos mais velha, me lembrar de todos os pequenos detalhes; poder observar evolução; poder recordar quem há dois dias atrás à data de hoje, eu era - porque não me quero esquecer de um único passo que tenha dado, tenha sido ele para avanço ou para recuo.

Peguei em todos os fragmentos do meu "eu" e iniciei uma jornada. A de me deixar ler, deixar descobrir, deixar transcrever. Deixar acima de tudo conhecer, e isto, sem uma cara ou um corpo associado. Dei acesso a este canto a muito pouca gente que me conhece pessoalmente - é um espelho da alma que poucos conseguem conhecer.

Aquando de uma conversa com a C., disse-lhe que precisava de uma  distracção, de algo que me elevasse o espírito e a mente a um  sítio diferente. Pouco depois, falávamos da distinção de personalidades. Foi ela, a minha C. que me disse que perante  um  tema diferente, vê uma Mafalda diferente. Foi um passo, e atribuí as alcunhas que os vários ciclos de seres-humanos me davam, a personalidades distintas e focadas. Nasceu assim este conceito, o meu conceito de Personalidade Múltipla.

«Personalidade Múltipla: A personalidade múltipla pertence ao campo de estudo dos problemas da dissociação da consciência. Explica-se como sendo uma patologia da personalidade que se encontra fragmentada em duas ou mais personalidades, que são distintas e que possuem controlo total do comportamento do sujeito.»


Somos então, apenas uma, mas somos então,  nós as seis.

Eme's - Liberalismo incondicional. Sou a fase em que medito em frente ao mar; um passado um quanto agressivo; algo psicótica. Nasci das festas de trance em que este corpo dançou, e da meditação que a mãe do mesmo corpo ensinou. Parti também dos conhecimentos de um mundo à parte, o mundo de uma economia paralela. Gosto de pés descalços em terra batida; de fogueiras com amigos.

 

Dorothy - Todos os temas de conversa e debate. Assídua de cafés; a amiga dos gays; defensora de tudo o que a maioria acha errado; adora política. O amor à metrópole onde vivo é muito acentuado. Iniciei uma jornada também derivada da minha família, e das injecções diárias de intelectualismos que absorvi.



She versus Say - Representação da intelectualidade. Rato de biblioteca; atenta ás questões sobre a alma; romantismo. Interpreto um gostar diferente por cada pessoa que vou conhecendo. Leio muito, gosto muito de ler. Transporto-me a outros lugares ali mesmo.




Jane - Sexualidade e zero tabus; despida de complexos e medos; tem o lema de experimentar de tudo antes de morrer. Um caminho diferente, um lado que aos poucos fui descobrindo. Falo sobre tudo, rio muito de muitas opiniões. Estou sempre lá e ninguém me vê.



Morena - A gaja mais gaja; a que adora roupa, acessórios e meniníces; construtora da lista de 100 coisas para fazer antes de morrer. A Liliana é responsável por mim, e por me revelar. Faço e digo, sou a futilidade que as restantes personalidades tentam evitar. Vaidosa.






Rose - O mau humor revelado. Perde coerência; respondona e mal encarada; adepta do foda-se e derivados. Estou pouco presente, é raro ganhar espaço e tempo de antena. Quando chego, é porque nenhuma das outras 6 versões deu a volta à questão. Ou isso, ou porque dormi pouco.


Parabéns ao Personalidade Múltipla, ao ano de Personalidade Múltipla, aos seguidores do Personalidade Múltipla e às 6000 visitas do Personalidade Múltipla. Venham muitos mais deles, de todos eles.


Beijo beijo beijo,
Mafalda.

domingo, 17 de março de 2013

Até já, João.

Despedi-me hoje de ti; disse-te "Até já, João"; arranquei um pouco de mim e vi-te levar esse pedaço de Mafalda para um lugar mais longe. E foi assim! Assim, sem aviso prévio; assim, com força e mágoa. Foi assim que te abracei e contive as lágrimas na esperança de evitar o drama e o caos psicológico. Foi assim que me separei de ti e não contive lágrimas, caos ou drama; chorei por ti - pelo pedaço que vai de mim junto de ti, junto do amor de irmãos que há 21 anos nos une.

Despedi-me hoje de ti; introspeccionei o porquê desta dor ser tão presente, exaustiva e forte. Então parei e percebi que esta dor é tão forte porque há 21 anos adquiri vários estatutos, entre eles está presente o estatuto de 'irmã mais nova do João - 9 anos e 9 meses mais nova'. Por isso percebi que esta dor é forte porque me separo de ti outra vez; porque não te tenho aqui outra vez.

Despedi-me hoje de ti; espezinhada, dorida e magoada pela vida. Não sei lidar comigo mesma a esta altura, não sei como controlar um sentimento destes - que provém de amor, mas que me mata por dentro. Porque estou bem, mas depois "Cheira a João. Pensa-se João. Sente-se João" e choro - choro muito e de forma compulsiva. Hoje choro a tua ida com a maior intensidade com que alguma vez chorarei um até já.

Despedi-me hoje de ti; revi e revivi quem somos e o que nos une. As sessões de pancada e cócegas desde sempre;  o partir a cabeça aos meus 3; as idas à minha escola aos meus 13; de Portishead e Björk aos meus 15; as idas a Évora dos teus 17; a inscrição na minha faculdade dos meus 20; as confissões dos teus 18; da bebedeira dos meus 17; do vivermos juntos aos meus 18 - a nossa casa no Príncipe Real; de me acompanhares à casa nova onde hoje moro; do 720 da minha casa até à tua; dos jantares de amigos; dos choros de irmãos; dos momentos em que cheia de orgulho te apresentei como meu irmão; de nos vestirmos de preto nas manifestações, de luto pelo país; do hábito que criei.

Despedi-me hoje de ti; e percebi que esta dor lacerante e alucinante tem vários nomes. Ela chama-se saudade que já tenho e ainda agora foste embora. Ela chama-se esperança porque foste onde vais ser melhor, ficar melhor e viver melhor; Ela chama-se João, tem 30 anos e embarcou hoje rumo a Londres. Porque juntos, vamos mudar o mundo.

E por isso, até já João.

Beijinhos,
She versus Say

quinta-feira, 14 de março de 2013

ENCONTRO

Ele não apareceu.
Talvez tenha adoecido ou ficado debaixo de
um eléctrico. Talvez outra pessoa se pusesse na conversa com ele.
Talvez se tenha esquecido do relógio,
ou o relógio se tenha esquecido de lhe dar o tempo certo.
 Talvez o carro não pegasse,
ou tenha ficado avariado a meio do caminho.
Talvez alguém lhe telefonasse quando ia a sair de casa,
dizendo-lhe que tinha de ir a um funeral
ou que a mãe dele tinha morrido.
Talvez tenha encontrado um antigo conhecido.
Talvez tenha tido uma discussão no emprego,
tenha sido despedido e esteja a esconder
a cabeça debaixo de uma almofada.
Talvez a ponte estivesse fechada e
a seguinte também.
Talvez o semáforo permanecesse vermelho.
Talvez o multibanco tenha engolido o cartão
ou a meio do caminho tenha reparado que se esquecera
do porta-moedas.
Talvez tenha perdido os óculos,
não conseguisse deixar de ler,
houvesse um programa que ele queria acabar de ver,
não conseguisse dar a volta à fechadura da porta,
não encontrasse as chaves em sítio nenhum e
o cão dele de repente começasse a vomitar.
Talvez não houvesse um telefone por perto,
não encontrasse o restaurante
ou esteja à espera noutro sítio, por engano.
Talvez – a última possibilidade,
incompreensível e inesperada –
ele tenha deixado de me amar
Por Hagar Peeters
Beijinhos,
She versus Say

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Pensar demais faz mal

É segunda-feira à noite. Lá fora chove a um ritmo intenso enquanto me sento na mesa da cozinha ao computador, frente a frente com um dos meus colegas de casa. 

A nostalgia invade-me em momentos como este, a música calma e bonita leva-me a um levitar mental elevado ao máximo dos expoentes. Os anéis, a maquilhagem, a roupa e as botas magoam-me. O meu próprio corpo hoje consegue estar magoado por ele mesmo. Sei a resposta a este estado, sei o porquê deste estado, sei que luto estou hoje a fazer - e isso, revolta-me. Queria controlar o que sei ser incontrolável. É uma das minhas maiores manias, sou uma control freak a nível emocional. Queria ver avanços, queria fazer replays, queria fazer restarts!


Kisu,
Eme's.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Aos meus 21

Parabéns aos meus 21.

Porque aos meus 21 quero. O quê, não sei bem; mas sei que quero.
Porque aos meus 21 vou. Onde, não sei bem; mas sei que vou.
Porque aos meus 21 sinto. O que sinto, como sinto, não sei bem; mas sei que sinto.
Porque aos meus 21 agradeço. E desta vez sei o que agradecer e a quem agradecer.
Porque aos meus 21 rodeio-me de pessoas que me significam algo, que me ajudam a ultrapassar as batalhas que me têm sido postas pela frente.
Porque aos meus 21?


Parabéns aos meus 21. Parabéns à mãe e ao pai dos meus 21. Parabéns aos teus 21 também.

Beijo,
Mafalda.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Dimensões

«É preciso repensar a nossa vida. Repensar a cafeteira do café, de que nos servimos de manhã, e repensar uma grande parte do nosso lugar no universo. Talvez isso tenha a ver com a posição do escritor, que é uma posição universal, no lugar de Deus, acima da condição humana, a nomear as coisas para que elas existam. Para que elas possam existir… Isto tem a ver com o poeta, sobretudo, que é um demiurgo. Ou tem esse lado. Numa forma simples, essa maneira de redimensionar o mundo passa por um aspecto muito profundo, que não tem nada a ver com aquilo que existe à flor da pele. Tem a ver com uma experiência radical do mundo.
Por exemplo, com aquela que eu faço de vez em quando, que é passar três dias como se fosse cego. Por mais atento que se seja, há sempre coisas que nos escapam e que só podemos conhecer de outra maneira, através dos outros sentidos, que estão menos treinados… Reconhecer a casa através de outros sentidos, como o tacto, por exemplo. Isso é outra dimensão, dá outra profundidade. E a casa é sempre o centro e o sentido do mundo. A partir daí, da casa, percebe-se tudo. Tudo. O mundo todo.»
 Al Berto, "Entrevista à revista Ler (1989)"
Beijinhos,
She versus Say

domingo, 20 de janeiro de 2013

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Evidências

«Mas era evidente para Dorian Gray que a verdadeira natureza dos sentidos nunca fora compreendida, e que permaneceram indomáveis e animalescos unicamente porque o mundo procura submetê-los pela abstinência ou matá-los pela flagelação, em vez de procurar transformá-los em elementos de uma nova espiritualidade, em que um elevado instinto de beleza seria a característica dominante.»
Oscar Wilde, "O Retrato de Dorian Gray"







Beijinhos,
She versus Say

sábado, 5 de janeiro de 2013

Viver nesta minha casa é

Chegar ás 22:30 do trabalho a uma sexta-feira, e ter colegas de casa à espera da minha pessoa - para uma bela jantarada regada a vinho tinto, boa comida, e muito, muito boa vibe.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Vicio de ti

"Quantos dias se passam sem tu apareceres. E às vezes penso é bom que assim seja, para eu aprender a estar só. Mas de outras vezes rompes-me pela vida dentro e eu quase sufoco da tua presença. Ouço-te dizer o meu nome e eu corro ao teu encontro e digo-te vai-te, vai-te embora. Por favor. E eu sinto-me logo tão infeliz. E digo-te não vás. Fica. Para sempre. Há em mim uma luta entre o desejo de que te esqueça e o de endoidecer contigo. Porque tu foste de um mundo incorruptível onde o tempo não passa e é aí que tu moras no eterno de ti."

Virgílio Ferreira
 

 


Beijo,
Jane

domingo, 2 de dezembro de 2012

...

"Entre a fumaça; finjo-me o trance; danço; toco-me; a minha pele parece seda; a minha pele parece a tua; toco-me; existe algo sexual; quase erótico; liberdade; trance; suor; sinto-te SINTO-TE e não doi, a tua pele parece seda, mas tu não estás aqui, mas eu sinto-te, o teu cheiro é bem mais intenso que o cheiro de erva neste quarto fechado, o teu calor impede-me de respirar, os teus beijos pelo meu corpo provocam-me espasmos musculares; mas tu não estás aqui." 

Beijo,
Jane

domingo, 25 de novembro de 2012

CDR - #Day 2

A sensação continua a mesma - continua a ser estranho, novo, velho, engraçado, constrangedor, lembranças, passado.
Saí de casa hoje, eram 15:45. Os calções vermelhos, collants pretos e camisola preta fazem agora parelha com o batom vermelho - nesta terra quase que uma espécie de crime contra a humanidade. Sinto-me observada, sei que por estas ruas sou hoje de novo estranha ao serviço. Tenho café marcado às 16 com o P., um poeta que me acompanha fazem anos e anos. Esta, é das poucas almas que ainda valida tanto as minhas vindas a esta cidade, como a minha própria existência. Desenrolei com ele horas de conversa, actualizei uma vida, duas vidas em que ambos tínhamos ficado congelados. Algures há 3 anos que nos regíamos pelo básico da comunicação - mas aquele abraço, será sempre o abraço de quem assistiu de uma maneira ou de outra a todas as mudanças que sofri, a todas as batalhas que travei. Tinha saudades, tantas saudades.

São 18 horas, o meu telemóvel toca inoportunamente a meio de um dos milhares virares de histórias para contar. Este contacto, regeu-se por uma comunicação:

'Almoço de família paterna convocado porque a Mafalda está cá. Amanhã às 12:30, em casa da avó, aquela em que todos crescemos'.

Desci à terra, e com isto tive quase uma 'out of body experience'. Não sei sinceramente como lhes reagir, como reagir à falsidade de que todos padecem. Aquela, é a família que me virou costas quando não tive dinheiro para comer, é a família que humilhou os meus heróis - também conhecidos como meus pais - até onde não podiam mais. Então amanhã só lhes vou lá ensinar uma coisa: não se vira as costas a um irmão. Esta lição vai chegar da mais simples forma; sob a forma de sucesso. And I win.

Amanhã espeto aqui com o resultado do confronto pacífico que vou enfrentar. Wish me luck!


Beijarolas e sorrisos,
Morena

sábado, 24 de novembro de 2012

CDR - #Day 1

Cheguei a casa; a terra, aquela onde nasci e cresci, aquela em que fui bebé, criança, menina, mulher. Cheguei - olá, Caldas da Rainha.
 
O expresso entra pela mesma rua por onde saí, há 5 anos; levava uma dor no estômago e um vazio na alma - com medo, tanto medo. Entra pela mesma última rua, a rua que de repente e sem aviso, há 5 anos me viu chorar.
Lembro-me de quando saí daqui com rumo à Capital. Lembro-me do medo, da ânsia e da expectativa que tinha; lembro-me de me ter recordado de todos os 15 anos que ali, naquela cidade, eu tinha passado. Lembro-me como se fosse ontem, de ter passado naquela última rua por onde hoje entrei.
 
Estive longe, e mais que isso, muito ausente - em 5 anos, contam-se pelos dedos o número de vezes em que vim 'a casa', o número de vezes que aqui estive. Faziam 3 anos que não punha aqui os pés. Tanto tempo, há tanto tempo, Caldas.
 
'Sentir Caldas'
 
 
Hoje sou Lisboeta, moura na minha melhor e pior essência. Hoje pertenço a todo o lado, menos aqui, ainda assim, eu sou daqui. E hoje percebi, que é verdade que aqui cresci, e que daqui tenho marcas.
Hoje saí daquele autocarro, peguei na mala e rumei ao mesmo café de sempre para visitar aquelas minhas pessoas. Hoje, ao passar uma e outra estrada, percebi - eu ainda sou daqui.
Hoje, ao ouvir aquelas pessoas senti um arrepio, ao abraçar aquela pessoa, n'aquele local percebi - eu ainda sou daqui. Ouvi aquele sotaque, falei com o sotaque que me convenci que não tinha, mas que de facto, tenho. Hoje, voltei a falar a cantar como qualquer bom 'Águas-mornas' que se preze, arrastei as vogais e comi metade das palavras. Hoje percebi que parte de mim, ainda está aqui. E tudo pode mudar, a cidade pode crescer; mas hoje, em cada lugar que passo eu sei - eu tenho recordações exactamente aqui. Por isso, hoje percebi - eu ainda sou daqui.
 
 
Mãe: Como te sentes?
Mafalda: Caldense.
 
 
Beijarolas e Sorrisos,
Morena

domingo, 4 de novembro de 2012

A quem

Quebrou um sistema que eu jurava ser impossível de quebrar. Rompeu a minha rotina habitual; desafiou as minhas leis da gravidade; compatibilizou e coordenou uma nova forma de me relacionar. 

Nem tudo são rosas, como sempre - mas dentro de tudo... Uma nova forma de estar.

Ao Diogo agradeço os tempos que com ele passei, a ideias trocadas, as gargalhadas que me provocou, as músicas ouvidas e os pequenos-almoços na cama; todos os bocadinhos em que me fez sentir mais humana e mais calma. Também agradeço o que nele consegui conhecer, e o que aprendi por lidar com esta pessoa. Ao Diogo agradeço as pessoas que me apresentou, agradeço a pessoa que é, e o que despertou de novo em mim. Eu disse-te que tinhas era que ter defeitos, como qualquer humano. E se me incomodaram? Claro. Mas ainda assim, fiquei com algo de bom.
Ao Diogo agradeço conhecer-me tão bem como se me conhecesse desde os tempos de gaiata, agradeço o tempo e a entrega. Tínhamos apesar de todos os filmes noctívagos e alcoólicos, uma bela sincronia pessoal, e eu gostava disso.



É neste espaço que revelo e deixo memórias para mais tarde recordar. Por isso, este post é do Diogo, e do que num prazo ridículo e demasiado curto conseguiu de mim. Porque para ti quero o melhor que o Mundo tem, e desta vez... Sem prazo.


Daqui a 5 anos, posso-te pedir em casamento? Risos.


Beijinhos,
She versus Say

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Namorados a prazo

Acordei com aquela sensação - sensação que me diz que algo mudou.

 "Fica comigo, este mês"

Não sei como o descreva, o que diga, como diga, muito menos o que sinta - sinto-me, já sei! Menina, miúda! Pequena, inocente - mas aqueles olhos, aquela mente, tudo o que me liga a tal presença, aquela pessoa (incluir todos os insultos disponíveis em stock). Devia ter sido mais cedo, diferente, não ter fim previsto, não ter um prazo.


São 18 horas, sentada no MeatMe de volta de Microeconomia, cadeira leccionada pelo Einstein versão portuguesa. Surge no separador ao lado uma janela de conversa. Como diz a outra: está sempre alguém a falar comigo. Tínhamos um jantar marcado faz para lá de mês; depois um cigarro - íamos beber café e fumar um cigarro, estava para lá de um mês. Aceite.

(...)

São 20 horas, sentada no Cais do Sodré a ouvir Portishead, a divagar pela mente e ver pessoas, apenas corpos a passar - fui cobrar o café que ia já para além de um mês. Espero, espero, espero, chegou. Movimentos e passos, rumo ao café.

Mafalda: Foda-se, namorar? Para discutir? Bater com a cabeça na parede? Não tenho tempo para isso.
(risos da 2ª pessoa neste diálogo)

(...)

São 23 horas. Continuo sentada no Cais do Sodré, agora acompanhada depois de um café; por ele, e por uma garrafa de vinho. É domingo à noite, celebro vida e boa companhia. A conversa desenvolve-se com a maior das facilidades, sinto-me fascinada com a complexidade e compatibilidade que sinto (algo vai correr mal).

São 23 horas e 30 minutos. 
"Fica comigo, este mês."

(...) 

São 10 horas da manhã. Isto correu bem para o meu lado. É assim que sem qualquer pista ou desconfiança, vemos uma hipótese nascer. E o prazo? O prazo chama-se emigração, que chega daqui a um mês. Foda-se, lá azar tenho eu. Até lá?

Liliana: Onde estás sardinha?
Mafalda: Com o meu namorado.


Beijinhos,
She versus Say

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Ana Rita #2


«Anda comigo ver os aviões» tornou-se bastante irritante. Mas foi o que ouvi: 'Tia, anda ver os aviões!' mal chegamos ao aeroporto de Lisboa, último destino por agora. Então foi assim que te disse mesmo:

- Até já princesa, porta-te bem. A tia não vai deixar de apanhar a Rita!


Beijarolas e Sorrisos,
Morena

domingo, 5 de agosto de 2012

Um fim-de-semana...

Daqueles.

Um jantar inesquecível, com pessoas brutais, com risos e galhofa, com tudo e mais alguma coisa. Sem dúvida uma marca para mim, enquanto pessoa, enquanto amiga, enquanto sabedora, e enquanto bem disposta que sou. Um grupo de pessoas inexplicáveis, sem dúvida. Mais tarde passo, mais tarde conto.

Uniões

E um sábado cansativo, com 3 horas de sono em cima, uma ressaca considerável e uma tarde de trabalho exaustivo pela frente. Mas compensa, visto que por isto, eu e a Liliana ontem jantámos fora, fomos ao cinema, conversámos, comemos gelados e ainda não tínhamos batido com a cabeça na almofada, e já íamos a dormir.

Positivismo.
Por isso hoje estou cansada, e vou trabalhar mais um bocadinho não tarda muito. Mente positiva, vou acabar a noite a beber caipirinhas e caipiroscas ali num lounge brutal, com a querida irmã, e com o R. que hoje vem roubar o seu tempo de colchão.


Beijarolas e sorrisos,
Morena

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Saudade Humana #1

Chego a casa cedinho depois do café. Escolhi o Garden para me sentar com a Liliana e estruturarmos em conjunto o plano para o dia de amanhã. Ligo o Facebook, e 'tu ru ru', apita. 

Liliana: Tens sempre alguém a falar contigo;
Mafalda: Shiu, é o R.


Foi de pequeninos. Nascemos e crescemos na mesma pequena cidade, rodeados de gente igual. Nascemos e crescemos com ideias diferentes, no meio de tanto, tanto igual. E foi isso que mais tarde decidiu a nossa amizade: as diferenças.
Eu nem queria acreditar que anos depois de termos saído dali, nos encontramos por mero acaso; aqui mesmo, à minha porta. Nasceu qualquer coisa com aquele 'Temos que combinar um café'. 


És e serás sempre o meu bailarino, o meu R., o que me deixa mais saudades, o que fez de mim pela primeira vez, a Dorothy que sou. Tenho tantas saudades das nossas coisas, de tudo. Hoje lembraste-me disso, com aquela conversa.
R: Lembrei-me de ti, hoje. Estava a pensar em nomes para a minha próxima peça;
M: Conta;
R: Lembrei-me da PG. E pensei logo em ti, e eu a dormir no colchão ao lado. A falar até não conseguirmos manter os olhos abertos. ♥
M: És eterno. E o colchão ainda te espera. ♥
(...)


Lembro-me da altura em que me disseste que ías emigrar, e Holanda era o destino para já. Deu-me um aperto; seriam milhares de quilómetros de distância que nos passariam a separar. Mas não podia deixar de te apoiar, de te incentivar a ires e melhorar as tuas hipóteses, as tuas chances de vencer. Eu estaria - e estarei - aqui para te aplaudir, sempre.
Por isso abracei-te antes da partida, falei contigo à chegada. Ainda me lembro da dor que dizias sentir ao chegar sozinho a um país diferente com uma língua estranha, ainda me lembro de sentir por ti um aperto enorme - queria ajudar e não podia. Sabia que te ias virar, muito mais rápido do que achavas. A prova estava em 3 dias depois já teres um sorriso de novo. Eu sabia...


De certa forma, vejo a tua partida como um sinal. Crescemos, a verdade é essa. Então agora, em vez de esplanadas com café, sentamo-nos em Lisboa a beber uma bela garrafa de vinho, num sítio calmo e giro, in da metrópole Lisboeta, enquanto pomos novidades em dia e recordamos o passado.

Lembro-me de tudo. Tudo é muito, mas é tudo mesmo.


X.o.x.o,
Dorothy