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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Alucinei ali

Sou uma gaja pouco sentimental no que toca a ti, ou pelo menos era. És meu irmão e esse estatuto bastava-me. Não te trato por mano, nem parvoíces que tais. Chamas-te João, chega bem. Ambos sabemos o que prá'qui vai, e o mundo não precisa de saber também. Por isso, desvalorizei as saudades que sentia - sabia que estavas onde a vida te saberia melhor e seria mais simpática. Ignorei os apertos ridículos em que me apetecia falar contigo só porque sim, em que queria que fosses tu a dizer 'I told you so'. Já tínhamos estado afastados, seria fácil - ou não tão difícil.
Depois percebi que, afinal, sou uma gaja sentimental contigo - principalmente com 1 ou 2 copos a mais, sendo que sempre nos demos bem nestes e com estes estados. Ia jurar que eras tu, um sósia com menos 5 cm de altura. Ia jurar que eras tu e por isso dei dois passos em frente, até ter percebido que afinal, não era possível que fosses tu. Naquela noite no Lux, chamei-me estúpida e desvalorizei a estupidez de saudade que tinha; mas acordei, e lembrei-me que te vi ali.
Então aí, percebi que sou uma gaja sentimental, e que 5 meses sem a tua presença à mão de semear, fizeram mossa.

Creio que foi Bukowski quem disse, que é preciso morrer-se várias vezes para se voltar a viver.

Beijinhos,
She versus Say

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Avó

Então, naquele pedaço de tarde solarenga percebi que os 83 anos já lhe pesavam. As mãos enrugadas e finas estavam mais fracas, os cabelos ainda mais brancos que o que lhe conhecia. Tremia mais um pouco, e falava mais porque se sentia cada vez mais sozinha. Então, naquele bocado de tempo primaveril ela descascou-me uma maçã como só ela descasca - com muito pouco desperdício - e entregou-ma em quartos perfeitos de sabor e sabedoria enquanto me cantava as mesmas histórias de velhos tempos que nunca me cansarei de ouvir. Percebi, naquele instante feliz e com raios de sol a escapar por entre os cortinados, que tinha pouco tempo, e mesmo que fosse mais tempo, seria sempre pouco tempo para a aproveitar. Por isso naquela fracção de segundos aninhados em ternura prometi-me ter todo o tempo para a ouvir; para ela me descascar maçãs; para me ensinar coisas que só ela sabe; para lhe dizer que a adoro; e para por fim, lhe chamar tão Avó como sempre me foi. 


Beijinhos,
She versus Say

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Namorados a prazo

Acordei com aquela sensação - sensação que me diz que algo mudou.

 "Fica comigo, este mês"

Não sei como o descreva, o que diga, como diga, muito menos o que sinta - sinto-me, já sei! Menina, miúda! Pequena, inocente - mas aqueles olhos, aquela mente, tudo o que me liga a tal presença, aquela pessoa (incluir todos os insultos disponíveis em stock). Devia ter sido mais cedo, diferente, não ter fim previsto, não ter um prazo.


São 18 horas, sentada no MeatMe de volta de Microeconomia, cadeira leccionada pelo Einstein versão portuguesa. Surge no separador ao lado uma janela de conversa. Como diz a outra: está sempre alguém a falar comigo. Tínhamos um jantar marcado faz para lá de mês; depois um cigarro - íamos beber café e fumar um cigarro, estava para lá de um mês. Aceite.

(...)

São 20 horas, sentada no Cais do Sodré a ouvir Portishead, a divagar pela mente e ver pessoas, apenas corpos a passar - fui cobrar o café que ia já para além de um mês. Espero, espero, espero, chegou. Movimentos e passos, rumo ao café.

Mafalda: Foda-se, namorar? Para discutir? Bater com a cabeça na parede? Não tenho tempo para isso.
(risos da 2ª pessoa neste diálogo)

(...)

São 23 horas. Continuo sentada no Cais do Sodré, agora acompanhada depois de um café; por ele, e por uma garrafa de vinho. É domingo à noite, celebro vida e boa companhia. A conversa desenvolve-se com a maior das facilidades, sinto-me fascinada com a complexidade e compatibilidade que sinto (algo vai correr mal).

São 23 horas e 30 minutos. 
"Fica comigo, este mês."

(...) 

São 10 horas da manhã. Isto correu bem para o meu lado. É assim que sem qualquer pista ou desconfiança, vemos uma hipótese nascer. E o prazo? O prazo chama-se emigração, que chega daqui a um mês. Foda-se, lá azar tenho eu. Até lá?

Liliana: Onde estás sardinha?
Mafalda: Com o meu namorado.


Beijinhos,
She versus Say

sábado, 23 de junho de 2012

Resposta

Há uns dias estava sentada mais uma vez na esplanada amarela que me abriga tantas vezes, com a minha 'irmã'. 


Understand me.


Esta não é uma irmã qualquer. Não é minha irmã de sangue, não somos fruto do mesmo relacionamento; não temos o mesmo pai ou a mesma mãe. Mas somos irmãs, porque o coração assim o decidiu. Eu costumo dizer que somos gémeas, porque somos, de facto. Não somos parecidas ou coisa que tal, de todo - temos em comum uma única característica física, e é a cor do cabelo que pintamos da mesma cor e ao mesmo tempo, sem sabermos - mas somos iguais numa coisa chamada cérebro. Temos as mesmas opiniões, as mesmas ideias. Somos irmãs gémeas, porque de facto esta é a única pessoa que faça eu o que faça, me entende. Pode ter sido a pior decisão de sempre, mas ela percebe sempre o meu ponto, não me critica nem julga, apenas opina quando acha que já fui longe demais, e isto é mútuo. De feitios somos complementares, não iguais. Ela é calma, eu tenho milhares de unidades energéticas no corpo; ela é envergonhada, eu pouca vergonha tenho; ela é ponderada, eu sou rápida de decisão. Complementamo-nos e completamo-nos bastante bem. Há uns tempos, por adversidades da vida, veio morar comigo. Não sei a quem agradecer, mas agradeço todos os dias por tê-la debaixo da minha asa, finalmente fora de problemas e confusões (Q.B, que eu sou louca não é verdade... Risos). É verdade que a minha cama de corpo e meio fica mais apertada para as duas, que nos damos cotoveladas e murros involuntários. Mas também é verdade que sabe bem chegar a casa à meia noite, depois das aulas, e tê-la ali, a perguntar como correu o dia, a contar as peripécias que também ela viveu. É bom, 12 anos depois do meu irmão sair de casa, ter de novo uma IRMÃ.


Trust me.


Mas continuando... Enquanto eu me perdia em balanças e factores produtivos, e cabeça nos livros, ela escrevia. Tem uma imaginação e um palavreado incomparável, escreve super bem, e muitas vezes me pôs a lágrima no canto do olhos quando me dedicou textinhos tontos. Não são tontos, são brutais. Deixou lá a folha arrancada do meu caderno e foi à sua vida. Antes de me ir embora, lembrei-me de ter visto imensas linhas escritas, fui cuscar. Este é um post de divulgação do texto dela, e resposta. Em casa, em cima da cama, ficou uma nota:

"Tens um recado para ti em
demasiadaspersonalidadesnumso.blogspot.com"

Liliana disse:

«E heis que um dia acordas e notas que tudo está diferente, sentes uma aura de esperança no ar, à tua volta e apercebes-te que no final de contas não estás sozinha, que nem toda a gente espera o teu fracasso, que ainda existem boas pessoas que acreditam que és capaz. Já não existe aquela premência insuportável de infidelidade e desespero. E a reviravolta que tudo deu. Uma turbulência de esperança nasce-te no estômago e alastra por todo o corpo, de dentro para fora, transformando-se em felicidade. A família que escolheste, ou melhor dizendo, que te escolheu, não é daquelas famílias em que são os laços de sangue que nos unem, laços esses que no meu caso não interessam e que se consomem como fogo, até desaparecerem por fim, laços vulneráveis... Não. A minha é daquelas verdadeiras, com laços de amizade que nunca se rompem; laços de todas as cores e com padrões fortes de lealdade e de amor.
Agora há que lutar por uma vida melhor, por uma vida que ninguém acreditava que pudesses conseguir ter, por uma vida que agora, os melhores acreditam que vais ter!
Ainda não é um final, mas é um meio. Um meio feliz! ♥»


Sempre.


Então eu respondo:

Assisti a tempos e tempos da tua vida, assisti ao mal que te fizeram sem nada poder fazer. Congelada, revoltada. Assisti ás tuas lágrimas de raiva e tristeza por nada poderes mudar, simplesmente. Assisti aos teus sorrisos por estares perto dos meus, dos nossos. Assisti à tua mágoa cada vez que te afastavas, assisti também ao criar dos teus sonhos. Assisti-te no melhor e pior; rezei - e nem rezar sei - para te poder dar uma vida melhor, enquanto pessoa que me eras, enquanto completar que fazias.
E não penses que mais alguma vez na vida voltarás a ficar só, porque não vai acontecer. Agora não têm dois filhos, eles têm três. A minha mãe não é minha, é 'a mãe', e o pai, é 'o pai'. O João, é o João, e minha avó, é a tua avó. Ninguém desta casa ou deste círculo familiar te vai deixar cair, passar fome, ficar sem tecto de novo. Não vai, porque simplesmente, és uma de nós. Somos loucos, pouco calmos, discutimos muita política, e nós mais novos somos deserdados se perdemos o espírito lutador. Também gostamos todos de copos, de conversa, e de ser pouco normais. Mas... Neste Mundo, eu gosto desta anormalidade que para mim é normal.
Nunca penses que foste acolhida por obrigação ou bondade. Foste acolhida porque era ao nosso lado que devias estar já faz muito tempo, e todos sabíamos disso. Terás sempre que acredite em ti, quem te aponte o caminho mais correcto, quem te ampare as quedas e lágrimas; quem te faça rir e sorrir. Nunca penses que voltarás a ficar sozinha, porque não vais.
Não contes com mil beijinhos e miminhos meus, porque nós as duas simplesmente não somos assim. Mas conta comigo, como irmã mais nova que sou. Conta com a minha alma, com o meu corpo no fogo por ti. Conta com a minha companhia vida fora, conta com irmos a festas quando formos cotas, conta com seres madrinha dos meus filhos, conta com criarmos vidas paralelas, conta com jantares de sushi uma vez por mês até ao fim da vida, conta com viagens pelo mundo que ainda vamos fazer, conta com nunca parar, porque parar é morrer. 
Também podes contar com os pais à cabeceira quando estiveres doente, conta com o pai para te arranjar tudo aquilo que se partir, te pendurar os quadros em casa e montar os móveis, conta com a mãe a dar abraços, conta com os teus filhos chamarem-lhes avó e avô, conta com a mãe te ligar todos os dias para saber como estás quando estiveres longe, e o pai mandar beijinhos e 'JUÍZOOOO!' lá de voz de fundo, conta com a mãe chamar genro ao teu namorado, e falar de sexo como se nada fosse. Conta com o João te dar nas orelhas para estudar, e te convidar para comer caracóis e beber imperiais ao fim da tarde.
Conta com uma família. Não normal, não ordeira, não certa. Mas é uma família, a tua família, Liliana.


It's our world.  Don't call it a mess just because you don't understand it


Beijarolas e sorrisos,
Morena

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Festas na Praia

@ Praia da Torre, 2011

Tenho saudades de quando éramos simples, fugazes e humanos. Tenho saudades de quando protestávamos o capitalismo e nos sentávamos na areia, fingindo estar numa ilha, contando histórias de cantar e encantar, de amor, comédia, risos, sexo, choros, tripes, festas, amizade.
Lembro-me dos jambés, das guitarras e das vozes; do som dos cães, cansados de correr praia fora, do barulho do mar a acompanhar a música, desses momentos Zen que vivi; da música estranha que o telemóvel estranho reproduzia, da conversa estranha que tive nesse momento - O fogo, porque falei durante uma hora sobre fogo; do cheiro a fumo, do cheiro a erva, do cheiro a maresia, do cheiro a confusão.
DE! De, de, de... De desenhar espirais no chão, de ir ao mar ás 4 da madrugada; de, de, de...
Tenho saudades de quando acolhemos 45 em torno de uma fogueira - quando no fundo, tínhamos começado 15.

Liberdade 

Vim dizer: BOM FIM-DE-SEMANAAA!

Kisu, 
Eme's.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Inspiração ?

Só para acabar este lindo 25 de Abril.

Sentei-me à janela a fumar o belo do cigarro, olhei para a frente enquanto me perdia naquilo que não distinguia de mar e céu, numa imensidão de chuva pelo meio - Toda eu, iluminada. Mas tanto que irradiei a sala!

 

A minha mãe não sabe que durante os anos de ausência dela, eu adormecia a ouvir Enya com os pés virados para a lareira, a chorar sem saber onde a minha vida ia parar. Hoje pôs isto, e veio-me dar um beijo na testa - De repente estamos tão tão bem (smile feliz)

(A sério mãe?!)


Beijinhos,
She versus Say

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Recordações

Não sei por onde começar, onde começar por explicar o primeiro dia do resto da minha vida. Sim, foi aquele (como muitos outros o foram) ;  aquele dia em que conheci um mundo completamente deslocado do meu. Era muito nova, transportada numa inocência de menina incrível, levava apenas treze primaveras comigo. E sim, foi esse o dia, aquele em que conheci aquilo a que hoje chamam de substâncias psicotrópicas ilegais – drogas.

Tivemos um confronto poderoso, e cheio de riso pelo caminho. Aprendi tanto quando pude com ela, com tudo o que esse “mundo deslocado do meu” tinha para me ensinar.
Não me vou perder com grandes falas e caminhos. Ao longo do tempo saberão mais sobre esta descoberta, e sobre os fascínios que me trouxe. Hoje quero-vos falar um bocadinho do meu prisma sobre uma amiga minha, chama-se droga e tem séculos de existência. Um bocadinho da sua história, ou da sua história comigo... Não me vou por já a falar de grandes tripes (risos), não... Isso virá mais tarde, quando eu vos quiser contar de vezes em que vi o meu imaginário tornar-se real, visual.

Sei que pelo caminho me perdi, algures pelos caminhos que corri. Fiz disto e DELA um escape autêntico a toda a merda que a minha cabeça levava. Inconscientemente, compensei faltas de qualquer coisa – que não sei se sei o que é, ou sei e não quero contar – para que assim, me sentisse melhor ou pior – acima de tudo, ANESTESIADA. Não digo que me arrependo, porque não o faço, até porque tivemos uma longa história e cheia de interrupções pelo caminho. Hoje sei que descobri o remédio – ser eu não sendo eu, e logo um dia, isso logo se vê.


(from trumblr)



A primeira vez que vi todo o processo de fazer, enrolar uma ganza, broca, canhão, charro, como queiram, de conhecer expressões totalmente alheias ao meu dicionário pouco vasto em termos de calão...

“- Toma Em, fuma;
-O que é isso?
- (Risos) Experimenta que vais gostar;
- Não sei não...
- Dá um bafo, eu conheço-te...”

Quem teve este diálogo comigo já não se encontra presente na minha realidade, na minha vida, na minha imaginação e nem em sonhos algures escondidos em mim. Fugiu. Mas a verdade é que toda a introdução a qualquer coisa deste género foi feita pelo Tiago, tinha ele dezoito anos, era um irmão para mim. Eu experimentei, dei um bafo (sim, eu tossi por todos os lados quando pude, era diferente de tabaco, era Erva), depois outro, e ainda outro – Isto bastou-me para naquela tarde ter apanhado a primeira ‘moca’ da minha vida, NAQUELE jardim, sentados NAQUELA relva escondida debaixo de sol e longe de olhares alheios. Senti-me bem, senti-me leve, ri-me até que me doesse a barriga, estava bem e descomplicada, anestesiada e levada pela sensação de ‘Who cares?’. 

Erva é hoje algo mais banalizado, mas mesmo assim muita gente não entende – peço assim que não critiquem, e mesmo não aceitando, respeitem. Hoje a legalização da mesma é um tema muito activo nesta pequena e monstruosa sociedade, mais tarde deixarei aqui a minha opinião sobre tudo. Para já, deixo-vos AQUI um blog para que possam saber mais sobre os prós e contras do seu consumo, uso, abuso, existência... Ohh, o que quiserem! Gera controvérsia.

P.S- Eu sou a queimada neste prisma todo, e de mim ouvirão falar de muita coisa que à maioria gera controvérsia e suspeita. Deixem opiniões, assuntos que queiram ver debatidos em relação ao que leram e ao que o rodeia.
P.S.2- Também sou a psicótica da história.

Kisu,
Eme’s